Os mortos no tremor de 8,8 graus de magnitude que atingiu o Chile na madrugada deste sábado chegaram a ao menos 214, informou o ministro chileno do Interior, Edmundo Pérez Yoma. O terremoto também derrubou prédios e causou a formação de um tsunami.
"Desde 1960 (data do terremoto de Valdivia, o maior da história), nunca havia ocorrido um terremoto assim", afirmou Yoma. Segundo ele, as autoridades esperam que o país esteja "normalizado" nas próximas 48 ou 72 horas.
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"Este foi um grande golpe à infra-estrutura do país, há grandes estragos em estradas, aeroportos, que estão agora paralisados. Houve danos em portos e também em moradias", afirmou o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, a jornalistas.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos afirmou que o terremoto ocorreu a 115 quilômetros de Concepción a uma profundidade de 35 quilômetros.
A capital Santiago, a cerca de 320 quilômetros do epicentro, foi atingida duramente pelo sismo. O aeroporto internacional está fechado por pelo menos 24 horas uma vez que o terremoto destruiu calçadas e quebrou vidros de portas e janelas.
Um prédio de 15 andares desmoronou em Concepción, a maior cidade mais próxima do epicentro do tremor de magnitude 8,8 e que possui cerca de 670 mil habitantes. Carros foram virados e soterrados por uma ponte que caiu na capital Santiago. Linhas de telefonia e de energia caíram, tornando difícil identificar o tamanho do estrago e das perdas de vidas causados pelo terremoto.
Em 1960, o Chile foi sacudido por um terremoto de magnitude 9,5, um dos mais fortes já registrados. O tremor devastou a cidade de Valdivia, matou 1.655 pessoas e causou um tsunami que atingiu a Ilha da Páscoa, distante 3.700 quilômetros da costa chilena. A onda continuou e chegou ao Havaí, Japão e Filipinas. As ondas que chegaram nas Filipinas demoraram cerca de 24 horas para atingir o país.
O terremoto deste sábado foi sentido em São Paulo e também nas Províncias argentinas de Mendoza e San Juan. Uma série de abalos subsequentes atingiram a região costeira do Chile.
Tsunami
No Havaí, começou por volta das 12h de hoje, (19h no horário de Brasília), a série de ondas gigantes decorrente do terremoto, que atingiu a costa do Chile 15 horas antes. Durante todo o dia, o governo do Havaí emitiu alertas e assegurou a retirada de pessoas da costa, portanto, a expectativa é que não haja danos nem vítimas.
Por precaução a Marinha americana recolheu seis navios que estavam em Pearl Harbor. Os navios foram levados para uma base naval de San Diego.
Sirenes soaram durante todo o dia, no Havaí, enquanto os moradores eram orientados a recolher seus pertences e procurar refúgio em um local de relevo mais alto. Conforme as previsões, o tsunami chegaria às 11h05 (18h05 de Brasília) e teria cerca de 2,5 metros de altitude, na cidade de Hilo.
Os funcionários do Museu do Tsunami no Pacífico, em Hilo, falaram com a Folha Online por telefone por volta das 9h (15h de Brasília) e contaram que, àquela altura, tentavam recolher o que fosse possível, antes de escapar. Segundo o museu, o pior tsunami da história da região --que [matou 159 pessoas-- ocorreu em 1º de abril de 1946, cinco horas após um tremor de magnitude 7,8 nas ilhas Aleutian, no Alasca.
"Há muitas coisas em nosso favor, hoje em dia", afirmou Charles McCreery, diretor da Noaa, que emite alertas a quase todas as cidades do Pacífico. "Temos um tempo razoável à frente." Hoje, além de esvaziar a costa, as autoridades fecharam o aeroporto internacional de Hilo.