domingo, 5 de abril de 2009

Cara pálida

Dizem que a memória do brasileiro é fraca. Ela é capaz de falhar, fazendo com que se esqueçam fatos importantes que fizeram parte da história recente do País. Foi assim com as inúmeras Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) há alguns anos e está sendo da mesma maneira com as dezenas e sucessivas operações da Polícia Federal. Talvez por essa característica ser tão presente em nosso traço, o presidente Lula tenha passado batido por importantes nomes das finanças mundiais. Sob o olhar desconfortável de Gordon Brown, o primeiro- ministro britânico, Lula, com seus olhos escuros iguais aos da maioria da miscigenada população brasileira, disse dias atrás que não conhecia nenhum banqueiro negro ou indígena. E que a crise financeira fora provocada por pessoas brancas de olhos azuis. É claro que ele buscava uma metáfora, tão comum em seus discursos, para se referir ao desencadeamento dos problemas econômicos globais que nasceram no Hemisfério Norte.

Desta vez, porém, Lula mostrou ser mal-informado. A crise não escolhe cor de pele ou de olhos e, mais que isso, tem entre seus protagonistas banqueiros das mais diversas raças e credos. Uma das primeiras estrelas de Wall Street a perder a cadeira de ouro dos bônus, por exemplo, foi justamente o primeiro afro-americano a chegar ao cargo mais alto de uma poderosa instituição financeira: Stanley O’Neal estava à frente da Merril Lynch quando os prejuízos de US$ 8 bilhões com a compra de títulos hipotecários podres provocaram sua queda em outubro de 2007.

De executivo mais bem pago do mercado, recebendo cerca de US$ 46 milhões anuais, O’Neal levou uma indenização de US$ 159 milhões antes de chegar ao board da Alcoa. A partir dali, a base da pirâmide de cartas foi desmanchada. A Fannie Mae, que ao lado da Freddie Mac é uma das principais instituições financeiras especializadas em hipotecas dos EUA, inundou o mercado com os títulos tóxicos. E era presidida por Franklin Raines, o primeiro afro-americano a comandar uma empresa listada na Fortune 500. Ele deixou a companhia. Até a Standard & Poors, agência de classificação de risco que não soube avaliar os reais perigos desses títulos, tem o indiano Deven Sharma no comando. (leia MAIS...)

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