segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Viverei 100 anos !?

Especial
Longevidade e Juventude:
Mais velhos, ...
...porém, mais jovens !!


Thereza Venturoli

Fotos Álbum de Família e Danilo Borges
JEITOS DIFERENTES DE ENVELHECER
A atriz Monah Delacy tem hoje 79 anos. A foto da esquerda foi feita quando ela
estava com 51 anos. Sua filha, a atriz Christiane Torloni, tem os mesmos 51.
A comparação dos dois retratos mostra como a medicina, associada a uma
mudança de comportamento, conseguiu, em três décadas, desacelerar o
processo de envelhecimento

Vinte e oito anos separam as duas fotografias que ilustram a abertura desta reportagem. São mãe e filha com a mesma idade – 51 anos. A da esquerda, da atriz Monah Delacy, é de 1980. A da direita, da também atriz Christiane Torloni, foi feita recentemente. Os dois retratos são emblemáticos dos progressos no conhecimento a respeito do processo de envelhecimento. As conquistas nesse campo são enormes. Atualmente não só se vive mais, como é possível manter a aparência jovial por mais tempo. Aos 51 anos, Monah Delacy era uma mulher bonita, sem dúvida, mas com um ar senhoril. Aos 51 anos, Christiane Torloni continua exuberante. Os avanços foram tamanhos que muitos pesquisadores acreditam que não demorará a chegar o dia em que homens e mulheres centenários deixarão de ser a exceção da exceção nos países desenvolvidos – e com aspecto e disposição de pessoas com trinta anos a menos. Mais velhos, porém mais jovens.

Das três variáveis envolvidas na equação para o aumento da expectativa de vida de uma população, duas, pode-se dizer, estão sob controle: a redução da taxa de mortalidade no início da vida e o aumento dos índices de sobrevivência às doenças típicas da velhice. De modo geral, as crianças se fortalecem graças às vacinas, aos antibióticos, à melhoria da nutrição e das condições sanitárias. Os idosos, por sua vez, se tornam mais longevos porque a medicina e as ciências farmacêuticas identificam e tratam as mazelas próprias da idade com métodos de diagnóstico mais precisos, técnicas cirúrgicas mais apuradas e medicamentos mais eficazes. A terceira variável é o envelhecimento propriamente dito, um fenômeno de extrema complexidade sobre o qual a ciência vem conquistando vitórias relevantes. "Embora o caminho para desacelerar ao máximo a degenerescência celular seja longo, hoje sabemos que ele é possível", disse a VEJA o biogerontologista americano Stuart Jay Olshansky, pesquisador da Universidade de Illinois.

Uma das mais promissoras frentes de pesquisa é a das particularidades que tornam certos indivíduos mais longevos do que outros. A expectativa é que tais trabalhos levem à identificação de substâncias que interajam positivamente com os genes relacionados ao envelhecimento. Cobaias não faltam. A população mundial daqueles que superam um século de existência (clique na figura para ampliar) aumentou drasticamente. Há centenários de três tipos. O primeiro grupo é o dos "sortudos". Com bom acesso à informação e a centros médicos de qualidade, eles conseguem prevenir as doenças próprias da velhice e recuperar-se delas mais rapidamente. O segundo grupo é o dos "adiadores". Eles até padecem dos males típicos do envelhecimento, mas bem mais tarde do que a média da população não centenária. Com a saúde intacta por mais tempo, seu organismo naturalmente dura mais. Os centenários que mais interessam aos pesquisadores, no entanto, são os "dribladores" – aquelas pessoas cujo organismo consegue evitar as doenças da idade e conservar perfeitamente as funções vitais até o derradeiro instante. Eles não só superam em muito a esperança média de vida, como vivem seus anos finais com mais saúde do que os outros centenários. Entre os "dribladores", principalmente, a longevidade é uma questão de herança genética. A probabilidade de o filho de um "driblador" alcançar a velhice com a robustez de seu pai é até dezessete vezes a da média da população.

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