sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Jobim, o patriota

Certa tarde, há alguns anos, dois carros andavam em sentido contrário numa estrada poeirenta, derraparam numa curva ao mesmo tempo e bateram de frente no meio da pista. Os dois motoristas, que quase não se machucaram, gritavam um com o outro, ameaçando trocar socos e sabe-se lá mais o quê. Uma amiga minha, dessas duronas, saiu enfezada de um terceiro carro, deu uma bronca num motorista, deu uma bronca no outro e mandou todo mundo pra casa. Cada um que arcasse com o seu prejuízo. Resolvida a questão, ela entrou no seu carro e foi-se embora.

Toda vez que vejo o ministro Nelson Jobim (Defesa) metido numa confusão no governo, me lembro dessa história. Jobim é como aquela minha amiga durona: não quer saber de lero-lero, quer saber de solução.

Tem caos aéreo e ninguém se entende? Ele vai lá, troca todo mundo e a coisa anda. Tarso Genro dá uma das suas e os milicos ficam em pé de guerra? Jobim vai lá, dá um tranco e todo mundo se aquieta. A área econômica ameaça cortar o aumento dos soldos, e oficiais de todas as Forças se arrepiam? Jobim acerta tudo com Lula e pacifica a turma.

Supremo e Abin se estranham por causa de inquéritos do pode-tudo? Jobim vai lá, alerta Lula e a coisa esfria. Lula e Amorim se precipitam e anunciam a vitória dos franceses num processo de seleção ainda em curso? Lá vai Jobim acalmar os brigadeiros e os concorrentes. Como? Dando o dito pelo não dito, reescrevendo o que estava escrito. Assim, curto e grosso.

Metade do governo torce o nariz para o ministro da Defesa, que não é do PT, não é da turma, não fica maquinando nem arranjando fantasmas e inimigos onde não há. Mas, para Lula, Jobim é uma mão na roda. Enquanto Lula é daqueles que gostam de negociar e de empurrar com a barriga, Jobim é o oposto: não tem medo, gosta de decidir tudo logo, rápido.

Foi assim que ele entrou no governo, aliás. O caos aéreo corria solto já havia um ano, com pilotos estressados, controladores fora de controle, as empresas aéreas pintando e bordando, multidões de usuários jogados durante horas nos aeroportos, uma situação obviamente de risco. E Lula fingia que não era com ele. Jobim entrou e botou ordem na bagunça. Trocou a Anac inteira, mudou a direção e botou pra fora as dezenas de apadrinhados da Infraero, respaldou a hierarquia da Aeronáutica e deu um basta nas companhias aéreas. Cadê o caos aéreo? Evaporou.

Ele também capitaneou a Estratégia Nacional de Defesa, elaborou a nova lei da Defesa que está no Congresso, assumiu os riscos do negócio bilionário com a França para a compra e construção de submarinos convencionais, submarinos de propulsão nuclear e helicópteros e retomou o programa FX, de renovação da frota da FAB.

O problema é que Lula é voluntarista de um jeito, Jobim é de outro --turrão, mandão. E isso está muito claro neste momento, quando a FAB --que é quem entende do riscado-- faz um trabalho super-detalhado, de 30 mil páginas, sobre o melhor pacote dos caças supersônicos para o Brasil e o presidente e o ministro resistem a ver, ler, considerar. Em vez de resolver, desta vez Jobim corre o risco de atrapalhar.

Gostem ou não gostem, até aqui Lula deve muito mais a Jobim do que ele a Lula. Por isso, o ministro não tem o direito de errar justamente agora. Seria como atravessar o Atlântico inteiro a nado para morrer na praia.

Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento. Foi colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da própria Folha em Brasília. E-mail: elianec@uol.com.br

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Dom. 17: Globo de Ouro

Domingo, 17/01/Z0!0: Globo de Ouro - C-L-I-Q-U-E

Foram divulgados pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood os filmes que concorrem ao Globo de Ouro 2010. O longa-metragem "Up in the air", estrelado por George Clooney, recebeu seis indicações, seguido pelo musical "Nine", com cinco, entre elas a de melhor atriz coadjuvante para Penélope Cruz. A premiação acontece em 17 de janeiro.

Confira a lista dos indicados de cinema:

Melhor filme drama

"Avatar"
"Guerra ao terror"
"Bastardos inglórios"
"Preciosa"
"Amor sem escalas"

Melhor filme musical ou comédia

"500 dias com ela"
"Se beber não case"
"Simplesmente complicado"
"Julie & Julia"
"Nine"

Melhor ator drama

Jeff Bridges, "Crazy heart"
George Clooney, "Amor sem escalas"
Colin Firth, "A single man"
Morgan Freeman, "Invictus"
Tobey Maguire, "Entre irmãos"

Melhor atriz drama

Emily Blunt, "The young Victoria"
Sandra Bullock, "The blind side"
Helen Mirren, "The last station"
Carey Mulligan, "Educação"
Gabourey Sidibe, "Preciosa"

Melhor direção

Kathryn Bigelow, "Guerra ao terror"
James Cameron, "Avatar"
Clint Eastwood, "Invictus"
Jason Reitman, "Amor sem escalas"
Quentin Tarantino, "Bastardos inglórios"

Melhor ator musical ou comédia

Matt Damon, "O desinformante"
Daniel Day-Lewis, "Nine"
Robert Downey Jr., "Sherlock Holmes"
Joseph Gordon-Levitt, "500 dias com ela"
Michael Stuhlbarg, "Um homem sério"

Melhor atriz musical ou comédia

Sandra Bullock, "A proposta"
Marion Cotillard, "Nine"
Julia Roberts, "Duplicidade"
Meryl Streep, "Simplesmente complicado"
Meryl Streep, "Julie & Julia"

Melhor ator coadjuvante

Matt Damon, "Invictus"
Woody Harrelson, "The messenger"
Christopher Plummer, "The last station"
Stanley Tucci, "Um olhar do paraíso"
Christoph Waltz, "Bastardos inglórios"

Melhor atriz coadjuvante

Penelope Cruz, "Nine"
Vera Farmiga, "Amor sem escalas"
Anna Kendrick, "Amor sem escalas"
Mo'Nique, "Preciosa"
Julianne Moore, "A single man"

Melhor filme estrangeiro

"Baaria"
"Abraços partidos"
"La nana"
"Um profeta"
"A fita branca"

Melhor animação

"Tá chovendo hamburguer"
"Coraline"
"O fantástico sr. Raposo"
"A princesa e o sapo"
"Up - Altas aventuras"

Melhor roteiro

Neill Blomkamp, "Distrito 9"
Mark Boal, "Guerra ao terror"
Nancy Meyers, "Simplesmente complicado"
Jason Reitman, "Amor sem escalas"
Quentin Tarantino, "Bastardos inglórios"

Trilha sonora original

Michael Giacchino, "Up - Altas aventuras"
Marvin Hamlisch, "O desinformante"
James Horner, "Avatar"
Abel Korzeniowski, "A single man"
Karen O, Carter Burwell, "Onde vivem os monstros"

domingo, 3 de janeiro de 2010

Minha escritora Ucha

Caros amigos,
gostaria de compartilhar com vocês a seguinte notícia: eu publiquei um livro! É a minha dissertação de mestrado, devidamente atualizada. Segue a capa para vocês verem como ficou bonitinha.
Um beijo e feliz ano novo pra todos,
Maria Lúcia

Inteligência Plena

A maior realização que se pode conquistar na existência humana, é a realização total do potencial da inteligência. Através deste livro, poderão perceber claramente que esta realização representa a solução única para a vida, no momento em que a vida encontra-se definitivamente ameaçada. A revelação do conhecimento das leis fundamentais da inteligência, ou da própria consciência, representa a chave para o conhecimento das leis fundamentais de todas as realidades com as quais a consciência se relaciona. Conhecer a verdade sobre a expressão máxima do universo humano, é conhecer o caminho da liberdade, é conquistar o direito ao livre arbítrio, é conhecer a verdade sobre todas as coisas. Por outro lado, se não conhecermos a realidade original da consciência, ou da função humana, não teremos acesso à natureza da dificuldade que estamos explicitamente vivendo, portanto não teremos acesso algum à solução. E este pode significar o problema fundamental da estagnação da mente humana, que certamente só realiza a todos os seus anseios quando conhece a si mesma de forma absoluta. A unificação do sistema individual se consagra pela unanimidade interna conquistada, estabelecida e sustentada pelo ponto de vista acertado, quando a confiança se manifesta assegurando a plenitude.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Começa uma nova década

Perspectiva 2010

O ano zero da economia limpa

Svante Arrhenius era um desconhecido físico sueco quando, em 1896, fez um alerta: se a humanidade continuasse a emitir dióxido de carbono na atmosfera no mesmo ritmo que fazia desde a alvorada da Revolução Industrial, em 1750, a temperatura média do planeta subiria de maneira dramática, em decorrência do efeito estufa.

Pouca gente escutou o apelo de Arrhenius em seu tempo, um período sem carros, sem megalópoles, com apenas 1,2 bilhão de pessoas no mundo. Quase ninguém seguiu seu raciocínio na maior parte do século seguinte. Foi assim até que novas evidências científicas surgiram, além das catástrofes naturais. E nos anos 1960 brotou uma ideia romântica, utópica e alternativa de preservação da natureza. Ela hoje entrou na corrente principal do pensamento ocidental, ajudou a transformar os processos de produção industrial e moldou o perfil dos líderes empresariais que conduzem o capitalismo no século XXI. Há muito ainda a ser feito. Evidentemente, é um frágil equilíbrio, mas trata-se, agora, de agir já para pagar menos depois.

Um relatório produzido em 2006 pelo economista inglês Nicholas Stern, então no Banco Mundial, indica que investir imediatamente, a cada ano, 1% do PIB global pode evitar perdas de até 20% desse mesmo PIB até 2050. É informação que os líderes reunidos na COP15, em Copenhague, neste mês, tinham com nitidez. Esses números não os fizeram avançar muito, em uma cúpula que entrará para a história pelos tímidos resultados que ofereceu. Não há problema. Existe uma mensagem clara: os estados não se entendem, escorregam na burocracia e em interesses egoístas, mas a iniciativa privada saiu na frente. As empresas e a sociedade já fazem mais e melhor que os governos no combate ao aquecimento global. Eles ainda patinam para entregar sua principal - se não única - contribuição, a de definir um quadro institucional estável e favorável à livre-iniciativa, à inovação e ao empreendedorismo.

Nas próximas 62 páginas, VEJA faz um amplo painel dos lançamentos de produtos, das ideias e das posturas que, a partir de 2010, começarão a delinear mais claramente o cotidiano baseado na economia limpa.

As 10 ideias e posturas de um novo mundo

Ecodesign
1. O apagar das luzes da lâmpada de Edison
Emissão zero em cidade nos Emirados Árabes

Carros elétricos
2. A chegada dos primeiros modelos de grandes montadoras

Executivos verdes
3. O perfil do líder moderno dentro das empresas

Energias renováveis
4. O vento é limpo mas ainda custa caro

Logística reversa
5. A reciclagem de resíduos já é bom negócio

Responsabilidade
6. Apagar o passivo ambiental vale dinheiro

Propaganda
7. A militância (e a polêmica) na publicidade

Globalização 2.0
8. A era da cidadania global

Capital natural
9. Está na hora de cobrar pelos recursos naturais

Créditos de carbono
10. Falta ainda saber quanto custa poluir